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Tradição e Modernidade
Alain
Chapel disse que a grande criação
culinária é sempre “um compromisso
entre uma tradição relativa e uma
modernidade aparente”.
Este é o conceito que aplicamos na elaboração
dos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Aprendemos
humildemente com o passado, mantemos vinhas centenárias
e vinificamos em lagares que o tempo não
desprezou, cultivamos a vinha em moldes clássicos
privilegiando a natureza, deixamos que os vinhos
se façam por si próprios com a mínima
intervenção humana. Mas também
utilizamos cubas de fermentação que
reproduzem automaticamente a pisa a pé, arrefecidas
às temperaturas ideais por sistemas de frio
automatizados; bombeamos o vinho com elaboradas
bombas peristálticas que não o agridem
em cada movimento de extrema suavidade; utilizamos
a prensa de balão que exerce sobre as massas
pressões muito suaves.
É esta associação do romantismo
de antanho com a evolução contemporânea
que nos permite esculpir estas obras de reconhecido
valor: os nossos vinhos.
Esta é a filosofia que nos esforçamos
por aplicar a todas as nossas actividades. E até
no que diz respeito à remodelação
das Adegas de vinificação e estágio
quisemos preservar para os vindouros aquilo que
eram as suas raízes e a sua tradição.
Mas ousámos, no que foi necessário
alterar, ir ao encontro de estilos vanguardistas,
representativos da modernidade assumida.
José
Bento dos Santos

As barricas Seguin Moreau na Adega de Estágio.

A
mesa da Sala de Provas, contígua à
Adega de Estágio.

Pormenor
da Sala de Provas, onde se pode ver, ao fundo,
uma das "cuspideiras" de Philippe Starck.

A
Adega de Vinificação.
ADEGA
DE ESTÁGIO E SALA DE PROVAS
Sobe-se
uma escada suspensa de degraus e patamar de granito
de grande expressão, encimada apenas por
um longo e curvilíneo corrimão tubular
de aço inox, que chama a atenção
para a modernidade vincante desta peça. Passa-se
a grande e vetusta porta de madeira para se entrar
na Sala de Provas, localizada sobre o antigo lagar
desta Adega com mais de 150 anos.
Domina o espaço a mesa de provas em madeira
de carvalho e aplicações de filetes
em inox da autoria, tal como as cadeiras, do Arq.
Viana Antunes. O pavimento é todo em granito
e a sala é ornamentada por uma mesa e um
aparador do séc. XVII e pelas imponentes
“cuspideiras”, verdadeiras esculturas
de Philippe Starck. A escultura em homenagem a António
Carqueijeiro é da autoria de Joaquim Ramada.
O espaço é circunscrito por uma barreira
de vidro que permite visualizar as barricas de carvalho
francês onde os vinhos estagiam no tempo.
Uma nova escada em granito e aço, também
com o risco do Arq. Viana Antunes, permite o acesso
da Sala de Provas à zona de estágio,
onde se pode ver, mesmo em frente, uma magnífica
escultura de João Dixo.
As paredes e a estrutura da cobertura (asnas e madres)
são originais e a sua presença releva
e homenageia as tradições da Quinta,
já no passado produtora de grandes vinhos.
Ao fundo da Adega surgem dois painéis de
azulejos Viúva Lamego com o logotipo da QMd’O,
suportando um longo gradeamento em aço inox
que parece esconder no seu interior tesouros recônditos:
aí é guardada, todos os anos, uma
colecção de 100 garrafas dos vinhos
produzidos na Quinta.
Quais guardiães do templo, duas esculturas
sobressaem ao fundo dos corredores formados pelas
barricas: representa uma delas a “Arte”
e a outra o “Engenho”. E, tal como disse
o Poeta, essa é a combinação
mística inspiradora em permanência
na elaboração dos vinhos da Quinta
do Monte d’Oiro.
A
iluminação do espaço foi preocupadamente
estudada para recriar um ambiente de calma e introspecção
através da luz que emana do solo e se espraia
em sombras e penumbras ao longo das paredes.
A associação dos valores tradicionais
relevantes com a modernidade estética que
os enquadra faz confinar no presente, um passado
e um futuro que não se afrontam, antes se
conjugam.
ADEGA DE VINIFICAÇÃO
Na
remodelação da Adega de Vinificação
houve a preocupação de a dotar da
máxima funcionalidade. O espaço disponível
permite o acesso das uvas aos tapetes de escolha
em tempo mínimo e um trabalho desafogado
e eficiente. Permite ainda executar várias
acções ao mesmo tempo sem quaisquer
interferências ou atravancamentos.
O
esmagador-desengaçador tem as suas partes
mecânicas em teflon para ser menos
agressivo. As cubas de fermentação
reproduzem a pisa a pé e quer a pisa quer
o frio são controlados individualmente (por
cuba) por mecanismos automáticos. No entanto,
é permitido a intervenção manual
para eventuais correcções. O permutador
de calor permite o arrefecimento das massas com
grande eficácia.
Todas
as análises de controlo são efectuadas
no laboratório da própria Adega, equipado
com a mais moderna aparelhagem.
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