Madeleines
de azeitonas
Conjugando o génio criativo de Ferran
Adriá e a técnica exímia
de Frederic Robert (Chef Patissier
de Alain Ducasse), criou-se este mimo de
aperitivo que evidencia o gosto doce da
azeitona, ao mesmo tempo que lhe associa
o salgado (tão típico da “pasta
de azeitonas” ou da tapenade),
o amargo (que é reforçado
pelo fermento) e o ácido, conferindo-lhe
uma frescura de paladar evidente, tudo envolvido
numa textura moelleux e fundente
na boca. Deverá ser um acompanhamento
interessante para vinhos com carácter
e personalidade.
Muffins
de queijo
Esta criação de Michel Lorain
teve o propósito de servir para acompanhar
provas de vinho. Se bem que a base do muffin
seja leve e adequada para acompanhar diferentes
tipos de vinho, o método utilizado
nesta preparação torna os
muffins suculentos e apetitosos
o que, acrescentado com a adição
de queijo, lhes confere um estatuto superior
ao de simples meio para “limpar”
a boca entre dois vinhos, mas antes os faz
participar no desenvolvimento de harmonias
curiosas com os vinhos em prova.
Empadinha
de tortulhos (Boletus)
Uma
empada de boletus faz concentrar,
no invólucro de uma massa de empada
alentejana, o sabor denso e terroso dos
cogumelos. Presente o sabor a húmus
que nos atira para o gosto mineral do Syrah
tão procurado nos vinhos da Quinta
do Monte d’Oiro. E os taninos sedosos
envolvem com doçura a presença
do sous-bois dos tortulhos, num
conjunto quase visceral que seguramente
surpreenderá com prazer a sua degustação.
Favinhas
guisadas com Xara de javali
As
favas são sempre colhidas na Quinta
do Monte d’Oiro ainda muito pequenas,
o que lhes confere um sabor muito especial.
Utilizamo-las para diversas preparações,
das quais se destaca o “Bacalhau com
Favas à Quinta do Monte d’Oiro”,
cuja receita foi recriada com base num prato
típico da região. O prato
que se apresenta hoje conjuga as favas pequenas,
guisadas muito suavemente para acompanhar
uma “Cabeça de Xara”
de javali, que foi ligeiramente fumada.
É precisamente esta característica
do “fumado” com que se pretende
fazer a analogia do carácter “fumado”
dos vinhos em prova e bem presente na casta
Syrah, quando esta dá origem
a vinhos com grande concentração.
Toucinho
com caviar
Este
terá sido o prato mais emblemático
criado no ano 2000. O seu criador, Santi
Santamaria, concebeu-o através da
associação de elementos gordos
mas com características opostas:
o toucinho fresco de porco preto, com o
seu sabor adocicado (e o qual é confitado
durante 7 horas para atingir a textura fundente
requerida), e o caviar de sabor salgado
que funciona aqui como “tempero”.
Todos os grandes “ingredientes”,
apanágio de um grande prato, estão
aqui presentes: sabor, contraste, magia,
surpresa, ironia,… Talvez seja um
risco servi-lo com um vinho tinto. Talvez…
e porque não?
Medalhões
de avestruz em Mole Poblano
Uma
das características mais típicas
dos grandes Syrah - só obtidos
através de uma viticultura que privilegie
rendimentos de produção muito
baixos - é o aroma a chocolate que
aqueles vinhos desenvolvem com a idade.
Para realçar este aroma num prato
adequado, optou-se pela carne de avestruz,
rica e densa, trabalhada segundo a receita
do mole poblano mexicano, que introduz
o chocolate negro na receita. Mais que uma
simples curiosidade, a fusão do chocolate
amargo com o sabor fino da carne de avestruz
faz ressaltar uma combinação
muito feliz que enche o palato de notas
gastronómicas muito ricas e memoráveis.
Medalhões
de veado em Sauce Poivrade
O
gosto poderoso da caça será
sublimado pelas notas torradas da casta
Syrah, criando uma sinfonia de
sabores dum classicismo subtil, exprimindo
bouquets terciários de grande
efeito. Foi este o fio condutor que levou
à inclusão desta receita clássica
para dialogar com galhardia com o vinho
da Quinta do Monte d’Oiro, numa união
densa mas elegante, onde o resultado é
antecipadamente ansiado.
Queijo
pecorino com trufas
A
opulência do Syrah em concentrações
majestosas predestina-o para acompanhar
a exuberância das trufas, onde a unicidade
do volume de sabores faz eco prolongado.
Para ser possível “aguentar”
os taninos do vinho escolheu-se um pecorino
italiano, suave e brando, que não
interfere com aqueles, antes serve de veículo
humilde mas adequado ao sabor único
da trufa, que se evidencia de modo misterioso
numa ligação quase mágica
com o perfil aromático do vinho.