Gastronomia
 
   
 

O "sentido gastronómico" dos vinhos da Quinta do Monte d'Oiro

QMd'O Reserva - Vinha da Nora - Clarete

A expressão "são vinhos com um notável sentido gastronómico" foi utilizada por Gerard Margeon (responsável pela escolha e aquisição dos vinhos para todos os restaurantes de Alain Ducasse) para descrever os vinhos da Quinta do Monte d'Oiro quando executou uma prova completa de todos os vinhos produzidos na propriedade.

De facto, os vinhos são elaborados de forma totalmente natural e clássica, com o mínimo de intervenção, para que o resultado final seja uma obra equilibrada dos contributos do solo, castas, vinificação e estágio. Assim, é determinação do produtor transmitir aos vinhos emergentes do terroir único e irrepetível da Quinta do Monte d'Oiro as características minerais próprias que o solo lhes confere. Quanto à concentração, é feito um esforço para conseguir vinhos opulentos, ricos e de gosto e aromas vincados, através da redução drástica do número de cachos produzidos por videira.

Ao contrário de alguma tendência actual de produção de vinhos muito aromáticos, com sabor a 'compotas de frutas', muito fáceis e até agradáveis, mas também sem grandes diferenças entre si e gastronomicamente associáveis a cozinhas pouco preocupadas (pratos simples da denominada cozinha internacional, cozinhas orientais e de fusão, etc), optou-se pela produção de vinhos complexos, com um carácter mineral evidente, com uma descrição organoléptica muito personalizada e que os destina primordialmente a acompanhar em perfeita sintonia pratos de genuína cozinha regional, cozinha clássica ou alta cozinha.

É este sentido gastronómico que faz distinguir os vinhos da Quinta do Monte d'Oiro
pelo seu perfil eminentemente talhado para acompanhar em perfeita harmonia uma culinária rigorosamente elaborada, contribuindo assim para a refeição se transformar num acontecimento gastronómico de eleição.


OS VINHOS DO MONTE D'OIRO E A (ENO)GASTRONOMIA


Quinta do Monte d'Oiro Reserva



Os QMd'O Reserva são vinhos muito escuros, quase negros, que exprimem aromas exuberantes de amoras maduras, pimenta e especiarias, chocolate, couro e aquele toque de alcatrão tão característico dos seus equivalentes do norte das Côtes du Rhone. São vinhos com um carácter mineral vincado, com taninos muito evidentes mas delicados, enquadrados pela qualidade da preciosa madeira na qual estagiam. Na boca são densos, bem suportados pela untuosidade dos taninos, com uma persistência e prolongamento verdadeiramente notáveis.
O seu estilo elegante e opulento a par da sua estrutura de base, imprimindo um sentimento de plenitude, aconselha-os para acompanhar pratos possantes de requintada elaboração, como por exemplo uma "Perdiz à Convento de Alcântara". O seu bouquet de trufa tornam-nos próprios para acompanhar elaborações em que rescenda o aroma do diamante negro. Digamos que o parceiro ideal para estes vinhos corpulentos é a caça de pelo, particularmente a lebre, o veado e o javali.
Ainda na sua versão jovem podem ser servidos com um pato assado com azeitonas ou uns rins com natas, onde os distintos aromas e a sua poderosa estrutura equilibrarão os gostos moelleux dos pratos.
Mas a excelência será adquirida após envelhecimento, onde os aromas terciários farão jus à alta cozinha, como seja um foie gras salteado com castanhas, um faisão estufado, uma sela de borrego ou uma galinhola onde o vinho suculento fará as honras a acompanhar as iguarias numa harmonia incomparável de gosto e sabor.


QMd'O Vinha da Nora Reserva



Os Vinha da Nora, esses vinhos cheios de elegância, de contornos delicados mas de grande personalidade clássica, emergentes dum terroir que lhes confere características únicas, uma evidente fruta madura com um fundo de especiarias, são vinhos vocacionados para acompanhar refeições de cozinha tradicional, elaborada com pureza e rigor.
O seu gosto apimentado, por vezes quase confundível com um Cabernet Sauvignon de grande estirpe, torna-os excelentes companheiros para uma lebre guisada ou um arroz de pato. Mas os seus aromas empireumáticos aconselham-no também para acompanhar uma morcela da Beira, uma ligação que nem sempre é fácil, mas que aqui funciona magistralmente. E o conjunto das suas características - estrutura redonda e aveludada com laivos de violeta, apimentado e húmus - sugere também uma boa ligação com a cozinha de cariz mediterrânico (ervas aromáticas como tomilho, alecrim e louro, tomate confitado e gosto aliáceo).

Um casamento perfeito será feito com uns lombinhos de borrego perfumados com alho, tomilho ou alecrim acompanhados por um leque de tomate e courgette e por um puré de alho.
Dos nossos grandes clássicos enquadra dignamente um pargo no forno, uma feijoada regional, um ensopado de borrego ou a vitela assada. Ressalta bem a ligação com os guisados de favas, um risotto de cogumelos selvagens e pratos italianos clássicos como uns canelloni gratinados, uma milanesa, saltimboca e osso buco.



QMd'O Clarete

O Clarete tem características muito marcadas e personalizadas para acompanhar certos pratos cuja compatibilização não é tão fácil com outros vinhos, sejam eles brancos ou tintos.
A sua frescura permite-lhe sublinhar com brio um salmão unilateral acompanhado de lombarda ou um eisbein com coentros.

O seu carácter ácido releva o sabor de uma "Cabeça de Xara" com molho ravigote, onde o vinho tinto se revelaria demasiado duro.
Sendo um vinho garboso e rico, acompanha maravilhosamente no verão uma pizza, umas sardinhas assadas com pimentos, um bacalhau elaborado, um leitão da Bairrada, ou até mesmo pratos de cozinhas exóticas apimentados e temperados com especiarias. E o seu género capitoso, mas sem taninos expressivos, permite-lhe afrontar pratos com ovos em omeletas ou em cocotte. A sua aptidão para os 'pratos difíceis' encoraja-o perante uma perdiz de escabeche ou saladas de tomate.
Pode ser aconselhado sobre um queijo de pasta mole (Brie, Camembert) ou um queijo de cabra temperado com azeite, que formam na boca um conjunto de sabores muito agradável, bem como frutos vermelhos ou uma salada de pêssego.